Você alcançou a paz, Molequinho.

Ontem foi um dia difícil.
Muito difícil.
É muito doloroso sairmos da nossa zona de conforto e vermos que, ao redor desse mundo imenso e imundo, têm pessoas tão dignas de viver quanto a mim, mas que não têm chance nenhum.
As imagens da criança morta, afogada em um naufrágio, aguçaram meus sentidos mais profundos. Hoje eu vejo, escuto e sinto muito mais do que deveria. E isso dói. Dói demais.

Dói como uma dor aguda, no fundo da alma, trancada, claustrofóbica, aterrorizante.
Dói como o frio gélido do pólo norte. Ou como o calor imensurável de um vulcão.
Dói porque não consigo tirar a dor dele e delegar a mim.

Dói imaginar a dor de quem ficou e teve que ver a perda de um anjo numa circunstância desta.
Como ser humano e péssimo entendedor eu me pergunto o porquê de uma criança, portando uma bermuda azul, camisa vermelha, sapatinhos e um provável sorriso constante no rosto, precisou passar por momentos tão desesperadores?
E o terror dos últimos minutos?
O provável sorriso constante eternizar-se-á em uma imagem, de um molequinho - morto - na areia.
Aylan Kurdi, o teu “livre arbítrio” foi arrancado, o teu sorriso censurado e a humanidade ficou mais doente.
Deus, porque fizeste isso?!


Paz, amor e (des)humanidade(?) !

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