Arpejo.
Hoje eu saí "só" - sozinho mesmo - pra almoçar, como quem não pede nada ao dia além de um prato honesto e a chance de voltar inteiro. Durante décadas eu tive esse hábito e meu companheiro dessas horas sempre foi o álcool. Mais a frente farei um aparte sobre isso. Entrei no restaurante, o porão para os mais íntimos, barão para os menos, e pedi charque - daqueles que parece que passaram pupunha como tempero de tão gorduroso e saboroso que vem- e, do lado, um açaí grosso, escuro, sem cerimônia, como deve ser. E, claro, com farinha "baguda". Enquanto eu mastigava, parecia que o mundo tinha abaixado o volume só um pouquinho, o suficiente pra eu ouvir meu próprio silêncio por dentro. O estranho é que eu estava bem com isso. Eu, que costumo implicar com meus pensamentos, como se eles fossem gente inconveniente sentando sem convite, ali o deixei se multiplicarem. Pela primeira vez em muito tempo, eu não precisei brigar com o que eu sentia, um prazer enorme em estar só, mesm...
