Uma paixão proibida
Minha jornada no enfrentamento ao álcool é marcada por uma batalha contínua, agravada por questões de saúde. Vivo em um ciclo complexo onde minha condição, que se deteriora com o consumo de álcool, paradoxalmente me impulsiona a buscar ainda mais essa substância. É uma luta interna incessante, onde a tentação do álcool se entrelaça com a necessidade de manter minha saúde.
Além disso, enfrento um dilema ainda maior: o álcool interage negativamente com a medicação que tomo e minha condição me faz ansiar por doses cada vez maiores desses medicamentos. Essa mistura perigosa - e muitas vezes fatal - não apenas compromete minha saúde física, mas também desregula meu ciclo circadiano, perturbando gravemente meu sono e enfraquecendo meu corpo.
Eu poderia passar horas escrevendo os impactos dessa mistura, mas o mais alarmante se manifesta nos momentos que antecedem o meu sono. Experimento uma sensação aterradora, uma linha tênue entre adormecer e um estado que se assemelha à morte. Essa indefinição me faz despertar em constante alerta, dominado pelo medo de que cada adormecer possa ser o último, fazendo com que eu não adormeça mesmo que esteja com muito sono.
Neste estado de vigília, perco a confiança em tudo ao meu redor e até em mim mesmo. Surge uma mania acompanhada por pequenos surtos e ideações suicidas, tornando cada dia uma batalha para manter minha sanidade. É terrível. Somente após um sono profundo e prolongado, consigo me reerguer das profundezas dessa experiência angustiante e me reconectar com a realidade.
Esta luta contra o álcool e seus efeitos colaterais é um caminho árduo, um ciclo de altos e baixos que testa constantemente minha força e resiliência. É um lembrete constante da necessidade de buscar ajuda e apoio para superar esses desafios e preservar minha saúde e bem-estar.
Eventualmente - uma a duas vezes por ano - eu tenho essas sinestesias horríveis sem "motivo" algum, apenas por conta da minha condição, mas são em bem menos quantidade do que quando misturo remédios e álcool.
E pra piorar tudo, sou apaixonado por álcool. Gosto do gosto, da sensação, da socialização. Sinto-me mais humano a cada drink, apesar de saber que, de igual forma, ele me torna menos vivo a cada dose.

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